Rituais · Roda do Ano — 31 de outubro de 2019
O famoso dia das bruxas - Morrer ou Plantar?

31 de Outubro, o famoso dia das Bruxas, também conhecido como Halloween (do Inglês arcaico, All Hallows' Eve, Noite de todos os Santos) era a versão inglesa do Samhain, festival que celebrava a morte do Deus Sol (e sua volta ao útero da Grande Mãe Terra) e marcava o início do ano celta. Sim, a Morte do Deus Sol Marcava o início do ano. Isso porque exatamente ao mesmo tempo que ele morria, se acreditava que a nova vida do mesmo começava a ser gestada, ou seja, começava sua nova reencarnação.
Neste post, vamos discutir algumas das simbologias desse festival e de Belthane, o festival que estaríamos comemorando aqui no hemisfério sul. Para entender um pouco mais dessa dualidade, pense que nós, do Sagrado Selvagem, acreditamos que todos somos um com o universo inteiro. Então, por mais que aqui no Sul parte de nós (nosso consciente) viva uma parte da roda do Ano, a outra parte (o subconsciente) vive o lado oposto da roda. Mais detalhes em no nosso post sobre os equinócios.
Samhain - A celebração da morte
Sim, a morte era para ser celebrada naqueles dias, e ainda hoje é possível celebrá-la. Não que celebremos, em si, a separação do ente querido, nem a saudade, nem o luto. Celebra-se a existência, a passagem do mesmo em nossas vidas. Da mesma maneira que temos contentamento no final de um filme (que também pode deixar saudade), podemos ter, no final da vida de um ente querido, a valorização da vida do mesmo.Do ponto de vista mágico / energético, nós do Sagrado Selvagem acreditamos que quando alguém morre, sua energia não é perdida, mas volta a fazer parte do Todo Cósmico, ou volta para o Útero da Deusa, em maior ou menor grau. Na prática, é o momento da existência em que, em maior ou menor grau, as ilusões de separação que criam nossa individualidade são desfeitas na consciência de quem faleceu. E é por isso que, paradoxalmente, essas energias estão mais acessíveis para os vivos. As consciências dos que foram estão menos amarradas por nossos limites quotidianos para comungar conosco de jeitos muito mais profundos. Basicamente, você pode comungar com seu ente querido através de cada planta, pedra, animal ou pessoa com muito mais facilidade do que antes.
Como em 31 de outubro aumentava muito visivelmente a velocidade com que a duração dos dias diminuía, os celtas acreditavam que o Sol morria nessa data. Ele renasceria no solstício de inverno, a noite mais longa do ano, após a qual os dias voltavam a ficar progressivamente mais longos. De qualquer forma, na noite de 31 de outubro, os celtas acreditavam que o véu entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos (ou se você preferir, entre as consciências individuais e o subconsciente cósmico) ficava mais fino. Por isso, essa era a data ideal para comungar com os espíritos de quem já tinha desencarnado. Por isso faziam o Jack o'Lantern, uma lanterna artesanal (a abóbora com rosto escavado e uma vela dentro), que serviria para guiar até si a alma dos entes queridos.
As cores do festival eram o preto (símbolo do inconsciente, da morte, do interior do útero, da gestação), o violeta (símbolo da cura e da espiritualidade) e o laranja (símbolo do outono, que chegava ao auge nessa data, e também da chama que deveria ser mantida acesa até o solstício).
Uma atividade que proponho fortemente para qualquer pessoa, nessa data, é a Jornada do Animal de Poder. Há outras atividades possíveis, mas deixaremos para tratar delas nos próximos anos.
"Coincidentemente", o cristianismo também relembra / celebra a morte próximo a essa data, com o dia de Finados (em 2 de novembro) e o Dia dos Mortos (que começa em 31 de Outubro e termina em 2 de novembro).
Belthane - A celebração da vida
A celebração que estaria acontecendo no hemisfério Sul seria Belthane, que poderia ser considerada a perda da virgindade do Deus Sol, ou o início do coito propriamente dito. E por favor, não fique vermelh@. Sexo é um ritual sagrado, um presente do cosmo para nós, uma das conexões mais fortes dos seres vivos com a energia cósmica da criação. Não motivo de vergonha, nem nada de sujo nisso.Os celtas celebravam isso como um poderoso festival do fogo, já que esse era o pico da primavera, o prenúncio dos dias quentes do verão que se iniciaria no solstício seguinte. Acendiam muitas fogueiras, dançavam muito. E sim, transavam (ou se masturbavam) muito, inclusive com intenções sagradas. Dois rituais eram muito representativos dessa época: a dança das fitas ao redor do mastro, e o plantio das sementes. Todos rituais que relembram a penetração sexual.
A dança das fitas ao redor do mastro ainda é feita em muitas festas juninas (que não à toa têm muitas fogueiras). Um enorme mastro fincado no chão simboliza do falo (pênis) ereto do Deus Sol. E enquanto as pessoas dançam com fitas ao redor do mastro, elas tecem um envoltório para o mesmo, que representam a vagina da Deusa Terra. Ou seja, é uma celebração da penetração sexual cósmica, da união das energias femininas e masculinas, que passam a ocupar o mesmo lugar no espaço.
Percebe como isso é o masculino (o consciente) voltar ao útero cósmico do feminino (o subconsciente)?
Outro ritual, com motivos muito mais práticos, era o plantio das sementes em si. E da mesma forma que a semente masculina penetra o útero feminino, a semente das novas plantas penetrava a terra, física e espiritualmente. Percebe a semelhança entre plantar e ser sepultad@? Entre plantar, morrer e renascer.
Minha sugestão de ritual para quem quiser se conectar mais às energias de Belthane é acender álcool dentro de uma panela (ou de um caldeirão) e dançar e cantar, e muito, ao redor do mesmo, puxando para si o vigor do fogo para os próximos meses.
