Quem somos

A Comunidade para a Busca do Sagrado Selvagem é uma comunidade religiosa neopagã para práticas xamânicas.

"Nossa, vocês são pagãos? Vocês não gostam de Deus, é isso?" Não, longe disso. Pagão vem do latim, paganus, que significa "aldeão, camponês". Pagãs eram as religiões das pequenas vilas e aldeias rurais. Eram religiões intrinsecamente ligadas à terra, ao plantio, à "Mãe Natureza" e seus ciclos. Hoje, neopagãs são as práticas religiosas que, de alguma forma, remontam ou se inspiram nessas religiões antigas.

E essa história do Xamanismo? Xamanismo é como as religiosidades "tribais" passaram a ser chamadas no século XX. Sendo assim, com certeza todas as religiões atuais se originaram de alguma forma de xamanismo (mesmo que seja o xamanismo hebreu, no caso do judaísmo). São práticas baseadas na alteração de consciência como forma de acessar e influenciar o mundo espiritual para, a partir daí, modificar o mundo físico — e é justamente esse ato que chamamos de magia. Agora, atenção: a Comunidade para a Busca do Sagrado Selvagem não está (e nunca estará) filiada ao xamanismo de nenhuma etnia tradicional. Nosso xamanismo é produto de nossas crenças, estudos e vivências, pois nosso objetivo é lembrar as pessoas de que o sagrado está disponível para todas elas, das mais variadas formas. E é bem por isso que falamos em Sagrado Selvagem.

Mas de qual Sagrado estamos falando? E de qual Selvagem?

Nossa logo: ao fundo, a Lua cheia, branca, com uma aura roxa, a cor do Elemento Espírito e do Sagrado. Num plano intermediário, a cabeça de um lobo de aura branca, cor da luz das certezas e individualidades. No plano mais próximo, um pentagrama roxo com aura branca, símbolo da magia, da harmonia e da espiritualidade.
Nossa logo: ao fundo, a Lua cheia, branca, com uma aura roxa, a cor do Elemento Espírito e do Sagrado. Num plano intermediário, a sombra da cabeça de um lobo de aura branca, cor da luz das certezas e individualidades. No plano mais próximo, um pentagrama roxo com aura branca, símbolo da magia, da harmonia e da espiritualidade.

Pra não haver dúvidas sobre o Sagrado

O Sagrado normalmente é definido como aquilo que é digno das mais elevada veneração e respeito religiosos. Para nós, entretanto, Sagrado é aquilo que você considera mais central e importante na sua vida, aquilo que te devolve ao seu centro e mais perfeita harmonia. Sagrado é o que cura sua mente, emoções e espírito da maneira mais profunda possível. Sim, o sagrado é a parte mais sublime da sua vida, acima de você mesma ou mesmo. Mas ao mesmo tempo, ainda é a parte mais sincera e pura do seu ser, mesmo que, sempre que você a toca, toda sua vida seja relativizada e renovada. O verdadeiro Sagrado cura, liberta e melhora. Sempre.

Algumas pessoas alcançam o Sagrado através dos esportes ou das artes. Outras meditam. Outras Rezam. O Sagrado está super acessível quando você faz sexo com carinho e entrega recíprocos, mesmo que por apenas uma noite. Ou até mesmo quando você se masturba com genuíno amor próprio. Aliás, Sagrado não é contrário de profano. Para nós do Sagrado Selvagem, profanidade é ilusão patriarcal e capitalista, que só existe para criar a hierarquia entre "divino" e "mundano", para facilitar que as pessoas sejam controladas e exploradas.

O Sagrado nos cerca a todo momento, sem nos percebermos disso. Tocá-lo pode ser fácil, mas esquecê-lo é ainda mais fácil e rápido. Em se falando de elementos de magia, o Elemento Espírito, junção de Terra, Ar, Fogo e Água, é o elemento que nos permite acessar o Sagrado dentro de nós e ao nosso redor. É o elemento do qual tudo que é sobrenatural é feito.

Pra não haver dúvidas sobre o Selvagem

A cultura ocidental se acostumou a demonizar a selvageria, valorizando tudo que é domado. Na prática, isso é uma grande hipocrisia. Na verdade, sempre que um ser humano explora outro, o explorador cultiva pelo menos parte de seu lado selvagem, enquanto tenta domar a explorada ou explorado por todos os ângulos possíveis e imagináveis. Ser domada ou domado é se tornar complacente, presa fácil para exploradores e vampiros de energia que nos cercam. Já ser selvagem não tem a ver (apenas) com violência. E por mais paradoxal que seja, ser selvagem definitivamente não tem a nada a ver com roubos, assassinatos e estupros, até porque essas ações, a médio e longo prazo, vão contra o instinto de autopreservação (sim, do agressor).

O que queremos dizer, então, quando falamos de "Selvagem", com "S Maiúsculo"?

Um animal realmente selvagem tem todos os seus instintos equilibrados para otimizar sua sobrevivência. O instintos de um animal assim não estão descontrolados, de maneira alguma (ou se estiverem, o animal vai morrer rapidinho, pela própria seleção natural). Cada instinto daquele animal é equilibrado pelos demais instintos dele e pelas demandas do ambiente. Não é que os instintos vão salvar o animal em qualquer situação, longe disso. Mas os instintos vão levar o animal a lutar, com todas as forças, pela sua própria sobrevivência e, acima de tudo, pela sobrevivência da espécie.

Poderíamos classificar a racionalidade como um dos instintos humanos. E como tal, essa racionalidade também precisa ser equilibrada por todos os outros instintos, que podemos dizer que são nossas emoções e sentimentos: amor, raiva, prazer, dor, carinho, solidão, medo e muito mais. Cada um desses instintos, racionalidades, emoções e sentimentos têm o momento certo e a dosagem certa para contribuírem para nosso bem estar. Inspirar-nos na natureza realmente Selvagem, intocada, da vida, na humildade de que saber e sentir que podemos morrer a qualquer momento (mas que também estamos inteiras e inteiros na luta pelo nosso bem estar e liberdade), com toda certeza, contribui, e muito, na nossa busca pelo Sagrado. Nossa proposta é buscar o Sagrado através do Selvagem, e buscar o Selvagem através do que é Sagrado. Porque afinal, se o Sagrado nos liberta, o Selvagem é aquilo em nós que ainda não foi aprisionado. O Sagrado, por natureza, não pode ser domado por ninguém, por nenhum explorador, se não já deixou de ser Sagrado. Não estamos aqui para converter ninguém. Estamos aqui para ajudar você, na medida do nosso possível, a acessar o seu Sagrado da maneira mais genuína e indomável possível, dentro do seu Selvagem.

Nossa Comunidade

Na prática, a Comunidade para a Busca do Sagrado Selvagem é uma teia de energia compartilhada por praticantes de religiões e formas de magia neo-xamânicas inspiradas no Paleolítico e Neolítico matrifocal. O grande alvo da Comunidade Neo-Xamânica do Sagrado Selvagem é oferecer a seus integrantes, civis e sacerdotais, e a quem quer que se interesse, o fortalecimento do Sagrado Selvagem como forma de vivência religiosa e reconexão com o mundo espiritual.

A Comunidade  conta com participantes civis e com xamãs do Sagrado Selvagem. Sim, nossas práticas se aproximam de outras tradições de bruxaria, wicca e xamanismo (inclusive das religiões afro-brasileiras), mas também se diferencia das mesmas:

  • por nosso objetivo, que é fortalecer a religação espiritual de cada pessoa com o multiverso através dos aspectos da mente humana que combinem, simultaneamente, o máximo de afinidade com os conceitos de instinto/liberdade (que se aproximam do sentido do Selvagem) e de cura/harmonia(que se aproximam do sentido do Sagrado). Ou seja, nosso objetivo é empoderar cada pessoa para buscar o sagrado da maneira que melhor funcione para ela e para sua harmoniza com o ambiente.
  • pelo nosso foco na não-hierarquia: acreditamos que hierarquias são uma forma de facilitar o entendimento do mundo, mas não uma verdade absoluta. No mundo real, hierarquias mudam a cada segundo, e são multi-fatoriais. E como acreditamos que cada coisa que existe é um "alter-ego" da Deusa, num grande sonho cósmico, acreditamos que, para além das ilusões do dia-a-dia, nenhuma hierarquia é real, nem mesmo a hierarquia entre a Deusa e cada pessoa.
  • pelo nosso foco no não-etnocentrismo: ou seja, evitamos, ao máximo, privilegiar uma etnia em relação à outra. O próprio etnocentrismo (que é a base do nacionalismo) é uma forma de hierarquia entre nossa nacionalidade (ou etnia) e as demais e ela se manifesta, principalmente, no uso dos nomes próprios. Chamar a Mãe-Terra de "Gaia" traz vários problemas. Primeiro, acessa as energias que foram geradas por cada grego que invocou a Mãe-Terra, ou seja, com pressupostos gregos, visões de mundo gregas, preconceitos gregos. Segundo, nos supor que a Mãe-Terra tem nome e individualidade como uma pessoa, com egoísmo e maior fidelidade aos gregos que lhe deram esse nome. Finalmente, falar em "Gaia" exige que cada pessoa tenha estudado o suficiente ou que lhe seja explicado que "Gaia" era a deusa Terra dos gregos, mãe de tudo que existe, etc. Falar em Mãe-Terra (ou usar outras palavras que não são usadas, separadamente, para dar nome a pessoas) é muito mais democrático, sem exigir conhecimentos prévios e sendo, inclusive, facilmente traduzido para qualquer outra língua.

Perguntas e respostas

A seguir, algumas perguntas frequentes:

  1. Vocês praticam magia? Sim, assim como todos os seres humanos do planeta, em algum momento da vida. Todas as religiões praticam magia, e todos os seres humanos (e não humanos) têm potencial mágico infinito e poderes mágicos infinitos (apenas não sabem usar).
  2. Vocês são uma tradição de Wicca? Não, não nos identificamos como um grupo de wicca. Em geral, a wicca, em grande parte, se baseia nas práticas medievais de bruxaria e no politeísmo dos mais variados povos, além de trabalhar com fadas, gnomos e outras entidades. Nossa inspiração é pré-histórica, e todo nosso trabalho mágico se baseia em nossa conexão com o multiverso (ou a Deusa, se você preferir), que é o nosso eu mais profundo e sagrado. Mas diferente da wicca, não estimulamos o trabalho mágico com deuses e criaturas mágicas, nem com etnias específicas.
  3. Que divindades vocês adoram ou cultuam? Nenhuma. Acreditamos que tudo que existe é um alterego, uma reencarnação, da mente do multiverso. Portanto, eu, você, cada pessoa, cada animal, cada planta, cada pedra, cada átomo do universo, são diferentes faces ou personalidades dessa grande mente cósmica. Portanto somos todos um só ser, e não vemos sentido em qualquer prática que remeta à hierarquia. Não vemos sentido em adorar ou cultuar a nós mesmos. Nós comungamos com essa grande mente do multiverso, à qual frequentemente chamamos de “A Deusa”, à semelhança da wicca. Mas isso é mais uma "simplificação" de nossas mentes humanas do que nossa crença real de que o universo tenha uma personalidade humana em qualquer sentido.
  4. Como vocês lidam com o público LGBTQIAP+? Nós celebramos as pessoas LGBTQIA+ como manifestações da incrível variedade do multiverso. Da mesma forma que celebramos o fato de existirem rosas vermelhas, amarelas e brancas, celebramos e acolhemos o diversidade de orientações sexuais e de identidade de gênero humanas. Uma pessoa LGBTQIA+ é bem-vinda para se casar e até se tornar Xamã do Sagrado Selvagem, se assim o desejar.
  5. Como funciona a "igreja" de vocês? Tem templo? Nossa comunidade é 100% descentralizada e online, sem eliminar a possibilidade de encontros presenciais. Não temos um templo físico, pois acreditamos que o sagrado está em todos os lugares e dentro de cada um. Nos conectamos através de fóruns, blogs e rituais virtuais. Quando nos encontramos presencialmente, fazemos isso na casa de alguém que está participando, numa fazenda ou em parques públicos.
  6. Como vocês se financiam? Tem dízimo? Não. Não cobramos dízimo e a organização não possui patrimônio. Apoiamos nossas atividades administrativas exclusivamente através de doações voluntárias em campanhas (vaquinhas) para projetos específicos (como a locação de um Airbnb para uma atividade especial).
  7. Vocês curam doenças através da magia? Como magia nasce a partir dos sentimentos e do desejo, se você realmente deseja alguma coisa, você precisa ter a disposição de, pelo menos, tentar aquilo que já está consagrado como algo que funciona. Se você quer se curar de uma febre mas se recusa a tomar um antitérmico, na prática, você está afirmando que reduzir a febre é menos importante que a sua resistência a tomar o remédio. Ou seja, você já está sabotando o potencial da sua magia. Por isso, nós orientamos firmemente que tratamentos de saúde convencionais, com sólido embasamento científico, sejam sempre a primeira e principal opção. Práticas mágicas, meditação e rituais são ferramentas maravilhosas para o bem-estar e o equilíbrio energético, mas devem atuar como complemento para reforçar ou facilitar os efeitos do tratamento médico que você já está realizando, nunca para substituir o acompanhamento médico. Aconselhamos magia, também, tanto para as situações em que a medicina ainda não tem capacidade para lidar com o problema, ou enquanto você ainda não consegue buscar a ajuda médica (como quando você está a caminho do hospital).

Seja bem-vinda, bem-vindo ou bem-vinde, e que a Mãe-Vida lhe abençoe muito!