Aprendizado · Feitiços · Sacerdócio — 8 de março de 2021
Por que aprender magia?


Então você quer fazer magia? Parabéns, querer é algo muito importante. E como já dissemos, fazer magia é um dom e um direito de todas e todos. Mas antes de aprender a fazer magia, é muito importante que você responda algumas perguntas, com toda sinceridade, para você mesma ou mesmo. E a primeira delas é: "Por que eu quero aprender a fazer magia?"
Esta pergunta não apenas vai influenciar em se você vai ou não realizar determinado ato mágico, como também vai influenciar, e muito, o tipo de magia que você aprenderá. Vamos então pensar em algumas respostas possíveis para esta pergunta.
Quero aprender magia para ter mais poder
Sim, a magia permite que você se sinta com mais poder. E uma das grandes questões é: para que você quer ter mais poder? Você quer ter mais poder do que o que você tem agora? Ou quer ter mais poder que as outras pessoas?
Um ponto importante a considerar, aqui, é quanto poder a magia pode lhe fornecer. E a resposta para isso é: mais do que você acha que tem agora e menos do que a maioria das pessoas imagina. É realmente comum as pessoas que estão começando a praticar magia se surpreenderem com os resultados, mas o contrário também é verdade. Falando claramente: não espere flutuar ou lançar raios com as mãos. Teoricamente, isso é possível sim, no mundo real. Mas as chances de alguém que pratica magia conseguir tais feitos é tão improvável quanto as chances de um praticante de artes marciais, num único salto sem equipamentos, pular do chão para o teto de prédio de 3 andares.

Da mesma forma que você treina artes marciais mais preocupado com defesa pessoal, saúde e combate corpo-a-corpo, o treino de magia é mais focado para conduzir as inúmeras coincidências do dia-a-dia, de forma a moldar o destino. Na prática, você provavelmente já sabe o que a magia pode ou não pode fazer. Treinar magia não vai lhe conceder muito mais do que rezar para um santo. A diferença é que, enquanto com orações e rezas você costuma ter algo perto de 50% de desejos razoáveis atendidos (nada como atravessar paredes ou caminhar sobre a água), aprendendo a fazer simpatias e feitiços corretamente, esta margem geralmente sobe para algo entre 75% e 90%.
Como tudo na vida, a magia tem suas vantagens e suas desvantagens, suas oportunidades e seus riscos. E quanto mais ambiciosas forem tuas tentativas, mais sérias serão as consequências dos erros do teu treinamento. Você pode treinar para alcançar feitos "inumanos" através da magia? Sim, com certeza. Da mesma forma que um praticante de artes marciais pode aperfeiçoar a técnica de pulo para pular tão alto quanto nos efeitos especiais dos filmes de kung fu. Da mesma forma que um halterofilista pode treinar para arrastar dez caminhões. O que essas três situações têm em comum é que não haverá nenhuma certeza se você conseguirá ou não. E mesmo que consiga, você terá que lidar com um estilo de vida muito pouco praticável, com lesões (físicas ou mágicas, dependendo do caso) muito piores. E aí fica a pergunta: você está disposta/o a pagar o preço? Vale realmente a pena pagar esse preço?
Quero aprender magia para ser mais especial

Aqui entra, muito diretamente, a questão do tipo de magia que você deseja aprender. Se você quer aprender magia para ser mais especial, a Magia do Sagrado Selvagem não é o que você procura. Veja bem: a Magia do Sagrado Selvagem parte do princípio que você é onipotente, onisciente e onipresente, assim como todos os outros seres que já existiram ou ainda vão existir. Ou seja: ser especial, na Comunidade do Sagrado Selvagem, é por ser única ou único, não é por ser melhor, nem mais importante, ou mais poderosa(o) que os demais, porque, para nós, isso seria só mais uma ilusão. Ou seja: você só é especial porque cada outra criatura, viva ou não, é especial à sua forma. Falando com todas as letras: você é tão especial quando um grãozinho de areia, que é tão especial quanto os anéis de Saturno, que são tão especiais quanto um vermezinho no intestino de um urubu, que é tão especial quanto Einsten, e assim por diante.
Para alcançar a Magia do Sagrado Selvagem, nós treinamos enxergar tudo que é pequeno como infinitamente importante, e tudo que é grande como não tão importante assim. Nós treinamos o olhar para nivelar todas as coisas que existem, e sem esse olhar, a Magia do Sagrado Selvagem não funciona, simples assim.
Sim, você pode se orgulhar de criar um feitiço bem feito através da Magia do Sagrado Selvagem, mas não mais do que uma pessoa deveria se orgulhar por cantar bem ou por chorar no final de um filme. São coisas que podem fazer parte dos seus pontos fortes, mas que não tornam você mais importante ou especial que as demais pessoas. A Magia do Sagrado Selvagem é um dom que todos os seres têm, e que apenas não sabem usar ainda.
Claro, existem outros tipos de magia em que destacar-se pelo esforço pessoal e disciplina são condições indispensáveis para fazer magia. Esse não é o caso da Magia do Sagrado Selvagem.
Quero aprender magia porque tenho talento
Esse seria um motivo válido, mas que também não gera grandes obrigações para você. Tanto quanto alguém ter uma voz bonita não signifique que a pessoa goste de cantar ou tenha a obrigação de se dedicar a isso. Claro, um mínimo de responsabilidade é sempre importante. Afinal, se você tem unhas compridas, o jeito como você toca as pessoas muda, para evitar machucá-las e se machucar. Então, caso seus desejos (ou seus medos) se realizem com frequência, pode ser importante aprender o mínimo sobre magia do Sagrado Selvagem, principalmente sobre Higiene Energética. Afinal, mais do que outras formas de magia, a Magia do Sagrado Selvagem é especializada em curar e promover uma vida mais harmoniosa.
Quero aprender magia para facilitar minha vida
Este também é um motivo muito válido. Aprender a usar magia é direito de todos, e não há outro motivo para fazer um feitiço que não passe por facilitar a vida. É como aprender a usar as mãos, ou aprender a dirigir, ou a andar de bicicleta.

Mas que fique bem claro: magia não é para banalidades. Ela existe para facilitar a vida, mas não espere que ela facilite aquilo que você já tem plenas condições de fazer. Querer usar magia, por exemplo, para fazer seu café da manhã flutuar até sua cama é o mesmo que querer usar seu sopro para transportar uma folha de papel de uma mesa para outra. É possível? Com certeza é. Mas as chances de ambas acontecerem são tão mínimas (e tão complicadas) que é mais fácil usar aquilo que a natureza já lhe deu (seus dedos, mãos e braços, seu corpo físico) para isso. Afinal, todas as formas de magia se baseiam em querer, desejar. E se você realmente deseja algo como café da manhã, o natural é que você use todos os meios disponíveis, partindo dos mais fáceis para os mais difíceis.
Magia, então, não substitui ciência, nem medicina, nem psicologia. Ela começa a ser útil, na verdade, quando todas as outras opções falharam, ou quando as chances de outros métodos falharem é mais considerável, ou como coadjuvante para outros métodos. Eu que vos escrevo, Dado Sheridan, trato minha depressão com psicoterapia e remédios, desde o ano 2000. E sim, a magia me ajuda, e muito, em determinados momentos em que a depressão pega mais pesado, mas essa magia não é a base do meu tratamento. Da mesma forma, se uma cirurgia é indicada para uma apendicite, por exemplo, não vou jamais tentar resolver isso só com um feitiço. Provavelmente vou fazer um feitiço para diminuir a dor e para evitar que a coisa se complique até a pessoa doente chegar ao hospital.
Quero aprender magia pois sempre quero ajudar
Agora, se você sente sempre um desejo de melhorar o mundo, de diminuir o sofrimento de todas as pessoas e seres o máximo possível, então você sente o motivo mais nobre para aprender magia, em especial a Magia do Sagrado Selvagem. Quem tem uma conexão realçada com a Magia do Sagrado Selvagem tem uma empatia natural com tudo que existe, com tudo que sente, com a própria Deusa, com o próprio tecido da realidade. Portanto, tudo que sofre, aumenta, de um jeito ou do outro, a angústia dessas pessoas (e entre elas me incluo). Portanto, nossa tendência natural é lutar para minimizar esse sofrimento.

Claro, o sofrimento nunca pode ser totalmente evitado. Sofrimento agora pode trazer prazer depois. Ou evitar outras formas de sofrimento, piores que a atual. Pense na injeção que uma criança toma. Por mais que doa à mãe ver a criança chorando com a agulhada, nenhuma mãe, em sã consciência, vai tentar evitar o sofrimento dessa injeção. Ela pode tentar minimizar o sofrimento dessa experiência, pode tentar fazer com que seja menos traumática, pode tentar fazer a criança lidar melhor com esse sofrimento. Também é muito comum que evitar o sofrimento de uma pessoa aumente o sofrimento de outra. Se uma mãe tem um filho que tem prazer em ver o irmãozinho menor sofrer, por mais que a criança maior chore e esperneie, a mãe não vai deixá-la maltratar a menor. E tudo isso também se aplica a quem tem uma conexão realçada com o Sagrado Selvagem.
Claro, também captamos fácil tudo de bom que há no ambiente. Sentimos o alívio e o júbilo das pessoas, dos animais, das plantas, dos lugares. Vibramos quando alguém se supera e se descobre. Temos um pequeno orgasmo cada vez que o mundo se torna um lugar melhor.
Se você tem esse tipo de sentimento, aprender magia do Sagrado Selvagem pode ser uma boa maneira de reduzir as angústias ao seu redor, e portanto as angústias que você sente. E a própria conexão das pessoas com o Sagrado Selvagem já diminui, e muito, essas angústias. É por isso que algumas pessoas se sentem chamadas a assumir o compromisso, com o próprio tecido da realidade, de facilitar a cura desse sofrimento através da conexão com esse Sagrado Selvagem. Esse compromisso é o que tornará dará a alguém o título de Bruxa ou Bruxo, Xamanisa ou Xamã, Sacerdotisa ou Sacerdote do Sagrado Selvagem (ou de alguma outra tradição de bruxaria ou wicca). Mas que também fique bem claro: não é porque você sente esse desejo que você tem obrigação de assumir esse compromisso. Você sempre pode ajudar de maneira "extraoficial", conectando-se ao Sagrado Selvagem e curando pessoas, plantas, animais e lugares mesmo sem ter o título de Bruxa ou Bruxo. Mas caso você deseje assumir esse compromisso, prepare-se para mais responsabilidades, para estudar e se dedicar, por pelo menos um ano, a fazer uma série de profundas (e frequentemente dolorosas) transformações no âmago da sua vida. Se isso vai ou não valer a pena, só você poderá dizer.
